Release
“Trishapensamento: Espaço como Previsão Meteorológica” é resultado da pesquisa de mestrado da autora defendido em julho de 2008 na Universidade Federal da Bahia e adaptado para um público mais abrangente
TRISHAPENSAMENTO
O livro é sobre um tipo de pensamento presente em trishapensamento que é a formulação do espaço como previsão meteorológica, portanto, não é um livro sobre a Trisha Brown, o que significa que sua obra não se esgota nem no assunto, nem na abordagem do assunto. Poderiam ter sido trabalhados inúmeros outros eixos sobre o seu trabalho, mas o espaço meteorológico se impôs e apareceu ruidoso e inominável em 2000, ao fim da pesquisa coreográfica de “Do Zero ao Limite do Um” (Bolsa Vitae); propulsionou em 2001, residência (a título de especialização via Bolsas Apartes Capes – MEC) na Trisha Brown Dance Company; após 2001, formulou-se como hipóteses de desenquadramentos em trabalhos artísticos de Adriana (subvencionados pelo Fundo estadual de Cultura de MG e o Itaú Rumos Dança 2002/03 e 2009/10; mereceu um mestrado (PPG-Dança – UFBA, com Bolsas Capes). Desta forma, insistentes e profusivos, trishapensamento e espaço meteorológico ganharam a forma de livro (subvencionado pelo Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais).
“Trishapensamento: Espaço como Previsão Meteorológica” não foi pensado fora daquilo que apresenta. Não obedecendo a uma lógica habitual, ele tomou a forma de seu objeto, de trishapensamento. Com certas doses de imprevisibilidade, incertezas e incompleto, escolheu se dividir em três blocos, no qual o primeiro trata do período em que acreditamos ser o berço do espaço meteorológico, quando as obras de Trisha não eram feitas em teatros tradicionais, e o segundo apresenta como line up, inicialmente, uma coreografia de Trisha, evoluindo em diferentes modos, passando a descrição do modo de operar deste espaço. Já o terceiro bloco propõe o espaço como previsão meteorológica e apresenta o que trishapensamento se dispôs a desenquadrar.
Resultado de uma pesquisa que se iniciou em 2000, e que culminou em uma tese de mestrado, defendido na Universidade Federal da Bahia em 2008 por Adriana Banana, formada em Filosofia pela UFMG, o livro tem como proposta pensar o espaço e o corpo na dança, através da obra da coreógrafa americana Trisha Brown, ícone da dança contemporânea mundial. Um dos motivos da escolha do tema é ó surgimento de Trisha nos anos 60 em Nova York, além da aproximação artística entre Trisha e Adriana. O livro chama a atenção para o quanto nossas artes e vida foram moduladas pelo entendimento de espaço forjado durante o Renascimento e consagrado com o espaço pensado por Newton, ou seja, hierárquico, homogêneo (todas as suas partes iguais), estático (não temporal), absoluto, como uma caixa pronta a ser habitada, mas que é possível desenquadrar esta prática de espaço. Para Adriana Banana, “a obra de Trisha é exemplo de como é possível pensar o espaço sendo sempre aberto, nunca pronto e, ainda, quando construído, ser espaço de possibilidades. Trisha é uma das artistas que nos inspiram a desenquadrar verdades já engessadas”.
Para trabalhar a obra de Trisha Brown, foi preciso pensá-la junto de seu entorno e contexto, onde se estabelece uma conexão com a arte realizada nos anos 60 e 70 em Nova York. “Tem muita coisa, muitos documentos, no trishapensamento, recolhidos na própria biblioteca pública de Nova York, quando eu estudava sobre a Trisha e também nas aulas com sua companhia. Por isso eu fiz questão de recolher este material e incluí-lo no livro, traduzido para o português, até mesmo para suprir uma lacuna da bibliografia de dança no Brasil, já que aqui é escasso o material sobre dança nos anos 60 em Nova York”, explica Adriana. “O legal é que o próprio livro é uma forma de dança, coreografia, que possui uma lógica que pode ser reconhecida como as minhas próprias obras artísticas. Ele não é ensimesmado, mas não deixa de ser pretensioso, uma vez que, além de estar sempre sendo feito, propõe o espaço como possibilidades coexistentes e não excludentes, possibilidades não como potências, mas como realidades. Isso é o que as artes fazem: produzem espaços possíveis. O livro é um híbrido, uma proposição artística, uma peça de dança, não só sobre a Trisha. Ele replica o meu posicionamento ético e político em relação ao mundo”, conclui.